Dia dos Números – 27 de Dezembro

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Hoje é para a comunicação social o dia dos números. Como que o balanço do ano.

Desde manha que tem sido um escorrer de contagens, estatísticas e demais ‘banalísticas’ quantificadas.

Começou com o número de sms’s trocadas no Natal. Cerca de 900 milhões. Dá para ficar a pensar. Para quê tanta mensagem? Penso que a moda pegou. Eu proprio recebi 5 sms de uma única pessoa. Imagino que ela cada vez que recebia uma daquelas mensagens de humor sobre o Natal, ria-se e rapidamente reenviava. No entanto, fazendo algumas contas de cabeça, 900 milhões será o equivalente a mais ou menos cada pessoa mandar 10 sms. O que até nem é assim tão difícil de imaginar. Olhando para a nossa lista telefónica, conseguimos com facilidade escolher dez pessoas para tal tarefa.

Depois veio na comunicação social o valor médio gasto pelos ‘tugas’ nas compras de Natal: 270 euros. Ora, não sei como chegaram a este resultado, mas tendo em conta a crise económica generalizada pelas pessoas que conheço e o facto de eu próprio ter gasto muito menos desse valor avançado, conclui-se que alguém anda a viver bem. E esse alguém é uma minoria que concerteza controla grande da liquidez do dinheiro do mercado. Alguém anda a dar prendas no valor de milhares de euros!! Poxa! Pois, crise hein?!

Para terminar, porque os números avançados foram muitos mas só escolhi estes porque me parecem de alguma forma mais reflexivos de uma dislexia social, a percentagem de portugueses que consegue poupar alguma coisa da miséria do seu ordenado. O valor ronda os 60%. Sim. Segundo a DECO (defesa do consumidor), apenas 60% dos portugueses consegue poupar alguma coisa todos os meses. [valor percentual rectificado. Onde se lia 40% é afinal 60%. Desculpem o lapso.]

Quer dizer que pelo menos 4 milhões de portugueses não conseguem ou não querem poupar parte do seu ordenado mensalmente. Isto, desculpem-me, é trágico. Revela uma falha gravissima na nossa mentalidade no sentido de responsabilidade individual e de solidariedade colectiva: A distribuição da riqueza produzida é desequilibrada e na generalidade não se sabe gerir dinheiro.

É melhor nem falar das mortes na estrada….

Gostaria de apontar uma possível solução, mas não encontro. Ao menos o problema está identificado.

Uma coisa é certa: Se começarmos a pensar, chegaremos a algum lugar. Melhor.



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